Reforma da Previdência prejudica a todos e mais ainda as mulheres

Leide Mengatti, presidente do Sinsaúde Campinas e Região

13/03/2017

Estamos vivendo uma fase de retirada de direitos. Muitos trabalhadores estão revoltados com o pacote de reformas apresentadas pelo Governo Federal e prometem resistir a estes ataques, um deles é a PEC 287/2016, mais conhecida como reforma da Previdência. Esta PEC propõe que contribuintes com menos de 50 anos só se aposentem aos 65 e que os mesmos só terão direito ao benefício integral se contribuírem por 49 anos.
Mas os retrocessos não param por aí. Além de prejudicar a vida dos mais jovens, a reforma propõe criar regras de transição para homens com mais de 50 anos e para mulheres com 45 anos ou mais, onde haverá uma cobrança de 50% do tempo de contribuição em relação à regra atual, que é a fórmula 85/95, que significa idade de acesso à aposentadoria com a soma da idade mais o tempo de contribuição, para mulheres e homens, respectivamente.
Em outras palavras, esta PEC é uma verdadeira aberração aos direitos dos trabalhadores, pois ataca justamente os direitos das pessoas que já trabalharam muito no decorrer da vida e que agora buscam um merecido descanso e uma vida mais tranquila. Estes nossos representantes da política, que deveriam trabalhar não só para garantir a manutenção dos direitos dos trabalhadores, mas também para melhorar sua condição de vida, usam seu poder para tirar o pouco que foi duramente conquistado pelos movimentos sociais.
Mas neste mês especial da mulher, eu queria dar destaque também que essa reforma é ainda mais prejudicial às trabalhadoras. Isto porque, com a regra atual, conhecida como 85/95, as mulheres costumam se aposentar bem antes dos 65 anos, geralmente entre 50 e 55 anos.
Além disso, assim como os homens, as mulheres terão que contribuir por 49 anos para ter direito à aposentadoria integral. Entretanto, hoje as mulheres já podem ter o benefício com 30 anos, já os homens com 35, ambos dependendo da idade. Isto significa que o acesso ao benefício integral fica ainda mais difícil para as trabalhadoras.
Sem dúvida que todos serão prejudicados, mas está claro também que esta PEC coloca mais ainda na conta da mulher o preço da crise econômica e do suposto “rombo da Previdência”, justificativa do Governo Federal que tem sido questionada por vários especialistas, sindicalistas, judiciário e entidades sociais.
As mulheres serão brutalmente prejudicadas com essa reforma, pois são elas que tradicionalmente trabalham mais que os homens, com duplas e até triplas jornadas ao cuidar do filho, da casa, do marido e também do próprio emprego.
Com a união dos profissionais da saúde, o Sinsaúde vai lutar para que essa reforma da Previdência não seja aprovada no Congresso. A categoria da saúde não vai permitir que este retrocesso prejudique ainda mais a vida dos trabalhadores.
 

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