O Sinsaúde denunciou o Hospital Maternidade Gota de Leite de Marília ao Ministério Público do Trabalho e Ministério do Trabalho de Marília por uso irregular do banco de horas por parte do hospital e descumprimento das determinações da Convenção Coletiva de Trabalho.
Como funciona o banco de horas
Edison de Oliveira, presidente do Sinsaúde, lembra que o banco de horas é uma reivindicação patronal, não sendo, portanto, fruto de negociação do Sindicato. “Os Acordos e as Convenções Coletivas somente regulamentam o uso do mesmo”, destaca ele.
No caso da base do Sinsaúde, o banco de horas somente pode ser usado em caso excepcional, quando de um acidente, ou fato parecido, que exija a presença de um grande número de funcionários para o atendimento de emergência e não como depósito de hora extra. As horas que vão para o banco de horas devem ser compensadas no período de quatro meses; se passar deste tempo, o empregador tem que pagar como hora extra.
Desrespeito à Convenção
Além de não cumprir corretamente o banco, como agravante a esta situação a presidente do hospital procura burlar a Convenção Coletiva de Trabalho, tentando firmar acordos diretamente com os trabalhadores com o objetivo de modificar as regras sobre o uso do banco. “A presidente Virgínia Maria Pradela Balloni tem pedido para que os trabalhadores assinem um documento sobre o banco de horas, o que é ilegal. Nenhum acordo pode ser feito diretamente com os funcionários, é necessária a assinatura do Sindicato e jamais vamos concordar com isso. Os Acordos e Convenções Coletivas de Trabalho existem para regularizar seu uso, são instrumentos legais. A presidente está passando por cima das leis trabalhistas”, afirma o presidente da Subsede do Sinsaúde em Marília, Aristeu Carriel.
Aristeu explica que nenhum trabalhador deve assinar este documento apresentado pela direção do hospital. Porém, aqueles que já assinaram podem ficar tranquilos, pois ele não tem validade. “O documento, visto que não tem a assinatura do Sindicato que representa os trabalhadores, não tem valor legal”, explica ele.
Sem negociações sobre Acordo Coletivo de Trabalho (ACT)
O presidente da Subsede de Marília relata ainda que a direção da Maternidade Gota de Leite se nega a negociar a assinatura do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT). “Na pauta de reivindicações definida com os profissionais em assembleia, conta com 57 cláusulas necessárias para melhoria das condições de trabalho e de vida dos trabalhadores”, afirma Aristeu.
Entre os itens da pauta de reivindicação pelos trabalhadores, estão: reajuste salarial de 10%, equiparação salarial, exercício correto da profissão sem desvio de função e também a manutenção de todos os benefícios já existentes, como cesta básica, jornada especial de trabalho (30 horas) e outros. Também foi reivindicado que os auxiliares de enfermagem que concluírem o curso de técnico sejam registrados como técnicos.
“Mas a presidente da Maternidade Gota de Leite se nega a atender às reivindicações de seus funcionários. É possível mudar este quadro, mas é preciso que os funcionários do hospital entendam que o Sinsaúde só tem força com a união de todos os trabalhadores, que devem estar mobilizados, junto ao Sindicato, para exigir seus direitos em situações como esta”, conclui Aristeu.