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Desde as 6 horas da manhã desta segunda-feira, 17/03, os 400 trabalhadores do Grupo Albert Sabin estão em greve, reivindicando o pagamento dos salários de fevereiro, a entrega da cesta básica e do vale-transporte. Muitos funcionários não têm dinheiro nem para pagar o ônibus para trabalhar, o que já vinha dificultando o acesso ao trabalho. Visando dar garantias a estes profissionais, os diretores sindicais e também funcionários do hospital, Gilvan Pereira de Lima, Mauro Pezzutti e Joildo Santana de Jesus distribuíram para os colegas de trabalho, na semana passada, uma carta que, após assinada, foi entregue à administração, na qual os funcionários avisaram que deixariam de comparecer ao trabalho em virtude da falta de dinheiro e do vale-transporte. “Esta é uma garantia legal dos trabalhadores”, comenta o presidente do Sindicato da Saúde Campinas e Região (Sinsaúde), Edison Laércio de Oliveira.
De acordo ele, a paralisação das atividades apenas define a suspensão do atendimento no hospital que até a tarde de ontem tinha apenas 12 pacientes internados. “A situação que vem se arrastando é crítica e se o hospital ficou aberto até agora é devido ao esforço dos funcionários. Eles sempre se empenharam em manter o atendimento. Do Grupo, que já se gabou de ter 110 mil vidas, pouco resta. Impera o caos no hospital com a sistemática falta de medicamentos, médicos e/ou equipamentos de trabalho insuficientes para o atendimento das 50 mil pessoas que ainda dependem do Grupo. Até papel higiênico está faltando”, destaca Edison.
O presidente do Sinsaúde destaca que os funcionários vivem uma situação crítica por falta de dinheiro para pagamento de suas necessidades básicas, como aluguel e alimentação familiar. “Outros, no entanto, correm o risco de ser presos, pois o hospital descontou nos holerites pensão alimentícia e empréstimos bancários, mas não repassou a quem de direito. Esses funcionários, então, vivem em desespero”, frisa ele.
Para buscar garantias de que os funcionários recebam o que têm direito, a diretoria do Sinsaúde entrou com cautelar de arresto na Justiça do Trabalho a fim de penhorar bens do Grupo Sabin, composto por Hospital e Maternidade Albert Sabin, Micromed, Fundação Albert Sabin, Central de Diagnose por Imagem, Sabin Lab Center e Diagnóstico e Terapia. Na seqüência, o Departamento Jurídico do Sinsaúde entrará com ação contra o presidente do Grupo, Joaquim de Paula Barreto Fonseca, e os ex-sócios, Orestes Mazzariol, Renato Rossi e Alberto Liberman. Esta ação visa também à penhora de bens dos responsáveis pelo Grupo, de forma a garantir o pagamento dos trabalhadores.
Sem conseguir administrar a grave crise financeira que se arrasta há meses, a administração coloca o Grupo no ápice da crise, com dívidas de vários milhões com fornecedores, impostos e outros, além de cerca de R$ 10 milhões em ações trabalhistas coletivas e individuais, que estão há anos na Justiça. O FGTS, por exemplo, não é depositado há 11 anos. Fazem parte do conglomerado, o Hospital Albert Sabin (190 funcionários), Micromed (área administrativa que comercializa o plano de saúde, com 150 funcionários); Labcenter (laboratório, com 20 funcionários) e Central de Diagnose por Imagem (10 funcionários).
Ainda que o Hospital Albert Sabin não reúna condições adequadas, enquanto durar o movimento, os plantões de urgência e emergência determinados em lei, serão mantidos pelos trabalhadores.
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