SAÚDE Unicamp amplia estudo sobre zika

14/11/2017

Um trabalho coordenado pelo professor Rodrigo Ramos Catharino, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), realizado por pesquisadores da instituição de ensino, pode vir a contribuir para o diagnóstico e o tratamento do zika vírus.

 

Durante mais de dois anos, o grupo de pesquisadores fez uma análise do sangue de pacientes infectados com a doença e o resultado levou à descoberta de marcadores como a Angiotensina e a Angiotensina (1-7) — moléculas diretamente ligadas ao processo de infecção, que ativam importantes vias metabólicas relacionadas ao desenvolvimento neural de um indivíduo.

 

Essas vias, segundo os especialistas da área, são caminhos de moléculas que se abrem dentro de um sistema e podem levar à compreensão do percurso seguido pela infecção. Com base nisso, os pesquisadores chegaram à conclusão de que o vírus em si é, efetivamente, responsável por problemas relacionados ao desenvolvimento neuronal, como a microcefalia no caso de fetos, por exemplo.

 

A pesquisa, que foi realizada no Laboratório Innovare de Biomarcadores da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, encontrou ainda a existência de um outro marcador, um lipídeo da classe dos gangliosídeos — moléculas abundantes no sistema nervoso central e que também fazem parte da estrutura do vírus.

 

A descoberta forneceu evidências de que o aumento de gangliosídeos em indivíduos afetados pelo zika pode levá-los a desenvolver a síndrome de Guillain-Barré — uma condição em que o próprio organismo ataca o sistema nervoso central, causando a sua degeneração.

 

Os pesquisadores acreditam que esses caminhos metabólicos podem levar à explicação do que acontece no organismo de uma pessoa infectada pelo zika. Segundo eles, os conhecimentos adquiridos na pesquisa poderão ajudar no desenvolvimento de diagnósticos e tratamentos da doença.


Futuros estudos

 

Para Catharino, a combinação desses resultados também servirá como base para que futuros estudos na área possam ajudar no diagnóstico de outras doenças. “Essa pesquisa é importante, primeiro porque mostra que a nossa ciência consegue ser autossuficiente. E, segundo, porque a pesquisa com essas moléculas geraram outras perguntas e, consequentemente, elas poderão ajudar no tratamento de outras doenças, também”, explica o professor.

 

Financiada pela Fapesp, a descoberta ainda deu origem a artigo publicado no periódico Frontiers in Microbiology, intitulado “Serum metabolic alterations upon Zika infection” - Alterações metabólicas no soro a partir da infecção por zika.

 

O trabalho faz parte do projeto de doutorado do aluno Carlos Fernando Melo, que contou ainda com a participação dos farmacêuticos Jeany Delafiori, Diogo Noin de Oliveira, Tatiane Melina Guerreiro e Cibele Zanardi Esteves. As estudantes Estela de Oliveira Lima, de biomedicina e, Victoria Pando-Robles, de química, também ajudaram na pesquisa.

 

Fonte: Correio

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