Planos de saúde mostram lenta recuperação

07/12/2017

O número de pessoas com plano de saúde em Campinas aumentou entre setembro e outubro, mas segue menor que no ano passado, segundo a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Em outubro, 585.984 pessoas tinham um plano, um aumento de 0,16% em relação a setembro, mas um recuo de 0,15% em relação a 2016. Nos últimos dois anos, com o agravamento da crise econômica e aumento do desemprego, 28,1 mil beneficiários perderam a assistência médica em Campinas.

 

O mercado de planos de saúde aguarda a retomada dos empregos para voltar a crescer. Isso acontece porque os planos coletivos empresariais representam 65,2% de todos os contratos em vigor em Campinas. “Poucas pessoas têm condições de ter um convênio médico, porque o custo é alto. A maioria depende do emprego para poder ter garantia de assistência médica. Não tem muita análise a ser feita: a garantia de assistência médica só será ampliada à população, se houver retomada do nível de emprego” , disse o economista Ricardo Mendes.

 

A situação está dentro da média nacional, que em outubro teve um aumento de beneficiários de 0,17%, mas um recuo de 0,97% em relação a 2016.

 

Desde janeiro, o indicador vem oscilando em Campinas, com leves reduções e aumentos no quadro de beneficiários. Entre setembro e outubro, 967 beneficiários entraram no sistema. Esse ingresso está relacionado à pequena melhoria ocorrida no nível de emprego da cidade. Segundo avaliação da Associação Comercial e Industrial de Campinas (Acic), com base no levantamento do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), em Campinas foram gerados 679 postos de trabalho em outubro, mais que o dobro dos postos eliminados de janeiro a outubro do ano passado (404). No acumulado do ano, foram gerados 1.822 postos.

 

Esse crescimento, mesmo pequeno, traz alento a assistência médica pública, cada vez mais pressionada a investir em Saúde para dar conta da demanda que chega com o desemprego. No caso de Campinas, em 2015, foram gastos R$ 1,1 bilhão em Saúde, que correspondeu a 29,3% da receita com impostos; já no ano passado, o gasto subiu para R$ 1,2 bilhão e consumiu 31,2% das receitas tributárias. Este ano, o gasto está indo para o mesmo caminho. A Lei Orgânica de Campinas define que o Município deve gastar 18% de suas receitas com Saúde e a Constituição, 15%. “A perda de planos de saúde é mais uma pressão sobre o Sistema Único de Saúde (SUS) que tem sérios problemas de financiamento. A crise econômica, que gera o desemprego, reflete nos centros de saúde e hospitais públicos cada vez mais lotados e sem verbas para atender as necessidades”, disse a especialista em saúde pública, Maria Inês Nogueira.

 

A especialista observa que a crise tem impactos severos sobre os trabalhadores. Primeiro, disse, é quando ele é demitido e com isso perde o plano de saúde corporativo e com a queda de renda, não consegue mais pagar o serviço. “Ele não tem outra saída a não ser o SUS, que já está sobrecarregado com tanta demanda”, afirmou.

 

fonte: Coreio

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