Crianças com doenças respiratórias superlotam hospitais de Campinas e médicos criticam improviso de leitos

10/05/2018

Os hospitais de Campinas (SP) que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estão com as alas infantis superlotadas, incluindo as unidades de terapia intensiva (UTI), segundo relatos de médicos ouvidos pelo G1. A maioria dos casos é de pacientes com problemas respiratórios, o que já fez a Prefeitura acionar o estado duas vezes, em 15 dias, para buscar alternativas diante da demanda. A pediatra Anna Elisa Scotoni, integrante do conselho de funcionários do Hospital Municipal Dr. Mário Gatti, diz que pelo menos desde sábado (5) há ocupação máxima dos 12 leitos que ficam no pronto-socorro infantil, 18 na pediatria, além de 16 na UTI. No período, explica, o local chegou a ter 15 crianças acomodadas em leitos improvisados em consultórios, salas de inalação e emergência. Veja abaixo o que diz o presidente da Rede Mário Gatti, Marcos Pimenta, sobre a situação.

 


"A quantidade oscila, mas no final de semana fica pior. O pronto-socorro é para atendimento e permanência em observação por até 24 horas, essa é a regra. Se há uma pneumonia, deve ficar em leito hospitalar na enfermaria, e casos graves precisam de cuidados intensivos", critica.
De acordo com a médica, o grupo de pacientes atendidos inclui crianças infectadas pelos vírus influenza (gripe) e sincicial respiratório (VSR). O tempo médio de espera no PS é de quatro horas.

 


"Quando chegam os períodos do outono e inverno, a gente vive meses de caos. Não temos leitos para aguentar a demanda, que já é esperada, mas parece desconhecida pelos gestores. Esse número [no sábado] foi recorde", critica a médica que trabalha há 20 anos no hospital. Ao mencionar que vê déficit de profissionais de enfermagem e médicos no quadro do hospital, ela menciona existência de "leitos bloqueados" que poderiam ser aproveitados.
"Há pessoas esperando e eles [quartos] ficam sem uso por falta de recursos humanos".

 


Segundo Anna Elisa, até a quarta-feira (9) os leitos do PS, da enfermaria e UTI permaneciam ocupados, e o número de atendimentos improvisados baixou para oito, dois deles com cuidados intensivos. No entanto, ela lembra que a variação no quadro de atendimentos é dinâmica.
Uma médica pediatra do Hospital Ouro Verde destaca que a situação na unidade é semelhante ao do Hospital Mário Gatti. Além dos 15 leitos de UTI, também estão lotados os 11 leitos de enfermaria, entre eles, um que é destinado somente para caso em que há exigência de isolamento.

 


"Hoje havia nove crianças internadas na observação esperando vagas na enfermeira. A quantidade de leitos deveria ser ampliada de março a junho", critica.

 


Segundo ela, há déficit de pediatras na unidade. "Isso piorou em relação ao ano passado. Para funcionar, é preciso que trabalhem quatro médicos durante o dia, e três à noite. Tem noite que não há, ou tem um, ou três médicos não especializados", diz ao mencionar que pediatras deixaram o hospital após desdobramentos das apurações sobre desvios de recursos no por grupo ligado à OS Vitale, antiga administradora. A Prefeitura assumiu a gestão em dezembro de 2017.

 


Esforços

 


O presidente da rede que unificou os hospitais de Campinas desde março, Marcos Pimenta, defende que não há déficit de pediatras, apesar de reclamações dos profissionais.

 

 

Sobre as lotações nas unidades, ele afirma que a Prefeitura já esperava pela alta na quantidade de atendimentos e, por isso, no fim de 2017 houve planejamento para compras de medicamentos e materiais, além da realização de treinamentos e orientações para as equipes de enfermagem. "Um profissional que está acostumado a tratar adultos recebeu capacitação para atender às crianças."

 


De acordo com Pimenta, o funcionamento integrado permite aos hospitais municipais fazer "movimentações necessárias", conforme aumento da demanda e a liberação de leitos.
"Essa fase das doenças respiratórias é sazonal e o estado de saúde da criança pode melhorar ou agravar rapidamente. Os dois hospitais são 100% portas abertas, nós acolhemos todos", ressalta o presidente ao lembra que a Prefeitura já contatou duas vezes a Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), do estado, para reportar a situação e, com isso, permitir que alguns casos sejam redirecionados para outras unidades médicas da região no período de superlotação.

 


Ele destaca que, além de contar com dez leitos de UTIs, o Mário Gatti tem dez leitos "de reserva técnica" para receber casos graves, a partir da adaptação da unidade semi-intensiva. Por enquanto, o plano para desafogar não inclui expansão imediata de leitos, mas passa pela previsão de obras do PS Metropolitano e abertura da Unidade Pronto Atendimento (UPA) no Carlos Lourenço.

 


"Eu não consigo deixar uma estrutura montada para enfrentar três meses. Temos que adotar medidas criativas e de gestão para poder, neste momento, nos adaptarmos", falou antes de acrescentar que os leitos bloqueados (sem citar números) não podem ser remanejados. Segundo ele, os motivos passam de problemas hidráulicos à necessidade de manter leitos isolados, para casos de pacientes que precisam ficar separados para que não haja contaminações.

 


O que diz o estado?

 


O Departamento Regional de Saúde (DRS) informou que o SUS funciona em rede e, caso seja necessário, pacientes dos hospitais podem ser redirecionados para unidades de referência conforme grau de complexidade. "Há ainda apoio da Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde (Cross), para regulação de casos que eventualmente demandem atendimento em serviços em outras regiões", diz texto enviado por meio da Secretaria da Saúde do estado.

 


Vacinação contra a gripe

 


Campinas busca imunizar contra a gripe, neste ano, 90% dos 259,5 mil moradores considerados público-alvo. Este grupo inclui os moradores a partir de 60 anos, as crianças entre seis meses e menores de cinco anos, trabalhadores da saúde, professores, indígenas, gestantes, puérperas (até 45 dias após parto), pessoas privadas de liberdade e funcionários do sistema prisional.

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