Operação que investiga desvio de verba em hospitais cumpre mandados em Várzea Paulista

05/06/2019

 Uma operação deflagrada nesta quarta-feira (5) apura a corrupção de agentes públicos no desvio de recursos da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) de Várzea Paulista. A ação cumpriu cinco mandados de busca e apreensão nas residências e locais de trabalho dos investigados.

 

A secretária de Saúde Mônica Rodrigues de Carvalho e o secretário de Inovação e Planejamento David de Alexandre são alvos das investigações, que fazem parte da 4ª fase da Operação Ouro Verde, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público, com apoio do BAEP da Polícia Militar, que investiga corrupção na gestão de hospitais públicos.

 

Segundo o Gaeco, os suspeitos teriam recebido, mensalmente, propina para permitir que o contrato da organização social Vitale Saúde, gestora de várias unidades de saúde, entre elas a UPA de Várzea Paulista, fosse mantido com a prefeitura. A gestão da UPA pela Vitale ocorre desde 2016.

 

Conforme a investigação do Gaeco, o dinheiro de corrupção era a moeda de troca para que os empresários por trás da Vitale pudessem desviar verbas do hospital.

 

Em nota, a prefeitura informou que "está disponibilizando toda a documentação e informações necessárias, colaborando plenamente com as investigações de maneira integral e irrestrita para sucesso desta operação".

 

O Executivo completa dizendo que "repudia qualquer tipo de irregularidade ou favorecimento a qualquer empresa e esclarece que a operação é mais um braço forte da Justiça contra a corrupção, fazendo votos de que este continue a ser o caminho para um Brasil mais justo".

 

A empresa Vitale continua operando em Várzea Paulista, mas a prefeitura informou que está sendo feita uma licitação para que uma nova empresa seja contratada nos próximos meses.

 

O caso chama a atenção principalmente pelo estado precário no atendimento à saúde em Várzea Paulista, informou o Gaeco.

 

Os agentes do Ministério Público descobriram indícios de corrupção em Várzea Paulista em dezembro de 2018, depois do depoimento de um diretor da Vitale durante delação premiada.

 

Paulo Câmara detalhou ao Gaeco como funcionava o esquema criminoso, que desviava recursos públicos da saúde em diversas cidades do interior de São Paulo. As investigações apontaram que a organização social Vitale pagou propina para dois secretários municipais.

 

Paulo Câmara afirmou que pagava propina para agentes públicos de vários municípios. Na delação de Câmara, os secretários de Saúde e de Comunicação de Várzea Paulista foram citados no depoimento. O Gaeco não confirmou se as ações desta quarta-feira são contra eles.

 

Operação

 

Operação Ouro Verde teve início em novembro de 2017, quando desarticulado esquema criminoso de desvio milionário de dinheiro público do Hospital Ouro Verde de Campinas.

 

A Vitale, que administrava o Hospital Ouro Verde e não deveria ter qualquer fim lucrativo, foi acusada de envolvimento com um grupo criminoso responsável por desvios de verbas da saúde.

 

Em três fases, a operação já prendeu dezenas de agentes públicos, empresários e lobistas. Desde então, 18 pessoas foram presas e mais de 40 mandados de busca foram cumpridos com autorização da Justiça.

 

O MP apura na esfera criminal supostas irregularidades que envolvem R$ 7 milhões, mas relata ter recebido da própria administração municipal dados de que o prejuízo provocado pelo suposto esquema aos cofres públicos chega aos R$ 25 milhões.

 

A polícia também apreendeu carros de luxo, dinheiro vivo e muitos documentos.

 

Fonte: g1

[ FECHAR ]
[ FECHAR ]

GALERIA MULTIMÍDIA

VER TUDO

instagram

youtube