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Déficit de remédios nas UBSs é de 73 itens

27/07/2021

O fornecimento de medicamentos gratuitos nas Unidades Básicas de Saúde registra um défict expressivo, segundo balanço divulgado pelo Conselho Municipal de Saúde de Campinas (CMS) na última semana. De acordo com os dados, dos 273 itens ofertados pela Secretaria Municipal de Saúde, 41 estão com o estoque zerado (14,74%) e 32 produtos estão com o volume limitado (11,51%).

Parte dos produtos que estão em escassez no sistema é primordial para o tratamento de algumas doenças, por exemplo, diabetes, pressão alta e asma. O problema afeta a população mais carente, já que o preço da maioria dos remédios que estão indisponíveis no momento é alto, fazendo com que muitas dessas pessoas deixem de usá-los, agravando suas doenças.

Segundo a presidente do CMS, Nayara Oliveira, a falta de medicamentos na cidade é um problema crônico que já se arrasta há anos. "Desde que assumimos o conselho, em março do ano passado, isso é algo recorrente. Hoje em dia, pelo menos, é possível obter os números e fazer um balanço. Antes, a secretaria havia proibido a publicação da listagem nas plataformas, mesmo com uma lei vigente desde 2004 que obriga a pasta a publicar os números", contou a responsável pela entidade. Mesmo sendo esse problema, com a divulgação dos dados, conforme Nayara, “é possível ter uma noção da situação atual de Campinas nesse quesito.”
Além dos medicamentos de uso contínuo indicados para o tratamento de doenças mais graves estarem em falta, o nível de oferta, mesmo daqueles considerados comuns também causa preocupação. De acordo com o balanço do Conselho Municipal de Saúde, 52 itens estão zerados ou limitados, o que representa 24,12%.

“Isso é um obstáculo complexo e que exige atenção. A promessa da Secretaria era a de começar a resolver essa questão em 40 dias. Confesso que estou na torcida para que isso seja viabilizado o mais rápido possível. Entretanto, pela situação, acho difícil”, lamentou Nayara.

A pandemia da covid-19 propiciou que alguns problemas se agravassem, mas, segundo a presidente, “é uma grande falta de planejamento da Pasta. A prefeitura esperou mais de um ano para contratar técnicos de enfermagem, vitais no combate ao novo coronavírus, por exemplo. Isso não é questão de mercado, mas de tomar decisões políticas.”

Sem resposta

Moradora do Jardim Campo Belo, em Campinas, Nazarete Fernandes dos Reis, cuida de uma filha deficiente e enfrenta diversas dificuldades por conta do sistema de saúde da cidade. “Não consigo uma consulta médica há mais de dois anos. Quando ligo para marcar, não tem agenda ou não tem médico disponível. Além disso, há mais de três meses que compro a sertralina para a minha filha, mesmo sem ter condições, já que não tem no posto”, lamenta a moradora, que já fez diversas reclamações na Prefeitura e, segundo ela, não obteve qualquer resposta.

Além do gasto com a compra de fraldas para a filha Carla, com necessidades especiais, “os gastos com os medicamentos acabam pesando no orçamento. Eu moro apenas com ela. Recebo um salário e essa ajuda com a despesa dos remédios seria essencial.”

O aposentado João Domingues Sacramento, de 75 anos, residente no Jardim Campo Belo, não consegue receber os medicamentos para o tratamento de diabetes há alguns meses. “O posto de saúde avisa que esses remédios estão em falta, o que complica a minha vida. Nem me lembro quando os consegui de maneira gratuita pela última vez”, explicou João, que é obrigado a procurar o preço mais em conta nas farmácias do bairro e, mesmo assim, constata, “o dinheiro que eu gasto faz falta no orçamento mensal. Todos nós pagamos impostos caros e nem o básico temos.”

Outra situação recorrente nos postos de saúde é a falta de aparelhos nas unidades do bairro em que o usuário reside. Moradora do Parque São Quirino, em Campinas, a estilista Elis Regina, de 55 anos, sofreu com essa situação. “Fui realizar o exame papanicolau e não tinha o tamanho correto do equipamento. Em todos os outros anos, o procedimento foi tranquilo, mas desta vez foi muito dolorido e desconfortável”, revelou a estilista.

Além disso, segundo ela, “não tinha avental no posto. Fui informada pela médica que deveria ficar seminua. Um constrangimento... isso é um descaso. Pago muito caro diversos tributos e esse retorno na saúde é o mínimo.”

Em nota, a Prefeitura de Campinas ressaltou que a lista de medicamentos do SUS da cidade é uma das mais completas do país e que está agilizando licitações para restabelecer os estoques com a maior rapidez possível, e que a reposição da maioria dos itens está programada para os próximos 40 dias.

Além disso, a Administração justifica que um dos principais motivos para a escassez de medicamentos se deve à instabilidade do mercado, por conta de fatores gerados pela pandemia da covid-19.

“Esses problemas se refletiram nas licitações que contaram com poucos interessados e, mesmo aqueles que venceram o processo, atrasam a entrega”, justificou a direção da cidade.

Entretanto, segundo o balanço publicado pelo Conselho Municipal de Saúde, a falta de medicamentos na cidade nessa proporção acarreta na interrupção de tratamentos, agravando o caso clínico dos pacientes, o que, por suas vez, aumenta as internações que seriam evitáveis, encarecendo ainda mais o custo do SUS local.

Segundo a presidente do órgão, Nayara Oliveira, apesar da instabilidade do mercado e dos problemas gerados pela pandemia, “é necessário que a Pasta tome medidas para solucionar a situação, já que, historicamente, o mercado é instável.”

Por outro lado, a escassez de medicamentos impacta também um orçamento familiar que já está impossível para uma população vulnerável, fazendo com que muitas pessoas interrompam o tratamento. A Rede Mário Gatti, um dos principais hospitais da cidade, não teve seus dados disponibilizados pela Secretaria da Saúde de Campinas.

Fonte: Correio Popular
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