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Sindicato da Saúde de Campinas e Região, 11/20/2008
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Mais uma batalha vencida
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Edison Laércio de Oliveira
Presidente do Sinsaúde Campinas e Região e da Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo

O empenho do Sinsaúde trouxe resultados positivos para os trabalhadores da saúde. As negociações começaram em março e se encerraram em junho. A maioria dos hospitais das cidades onde o Sinsaúde tem representação assinou o Acordo que, no geral, garante aos funcionários a reposição integral da inflação do período de junho/2007 a maio/2008, calculada em 6,64%, e mais aumentos reais, variáveis por estabelecimento. Também ficaram garantidas as conquistas de anos passados, como jornada especial de trabalho, sobretaxa nas horas extras e no adicional noturno, além da cesta básica, importante complemento para a mesa do trabalhador e sua família.
Evoluir em novos direitos depende da categoria e a resposta deve vir dos trabalhadores, com o apoio do Sindicato. Não existe outro caminho. Como fazer isso? Pela mobilização.
Os trabalhadores da saúde devem participar mais das reuniões e assembléias do Sindicato. A união de todos junto ao Sindicato é que nos fortalece e que nos dá subsídios para lutar e buscar mais melhorias para a categoria.
Quando assumi a presidência do Sinsaúde Campinas e Região, em 1984, pela primeira vez, tinha um importante desafio pela frente. A meta era organizar a categoria e a partir daí iniciar um trabalho visando o crescimento no número de sindicalizados, a evolução dos salários e o reconhecimento do trabalho dos profissionais da saúde.
Três décadas atrás era comum termos períodos em que os salários ficavam abaixo do salário-mínimo estabelecido no País. E com um detalhe: todos os setores tinham o mesmo nível salarial, independente do conhecimento, da responsabilidade ou do tempo de casa. Uma situação injusta que queríamos mudar. E conseguimos. Ao longo dos anos, organizamos a categoria por subsedes, de forma a levar o Sindicato mais perto do trabalhador. Trabalhamos junto aos trabalhadores para conscientizá-los da importância da entidade numa ação em prol da categoria e mudamos a realidade, não apenas na nossa base territorial, mas no País. Ganhamos milhares de adeptos, que acreditaram em nós e se associaram ao Sinsaúde.
Conquistamos a jornada especial de trabalho, salários diferenciados por função, sobretaxa nas horas extras e no adicional noturno, cesta básica, entre muitos outros direitos. E os profissionais da saúde sempre estiveram juntos, presentes nas lutas, e demonstrando aos empresários que era hora de mudar. E mudou.
Com união e mobilização, a categoria saiu de um salário-mínimo para 2, 3, 4, 5 salários. Mas ao longo de 10 anos, houve aumento real do salário-mínimo em índices muito além dos conquistados por qualquer categoria. Esta realidade, aliada à acomodação econômica após o Plano Real e a falta de mobilização dos trabalhadores, fez com que a média salarial caísse para dois salários-mínimos. Nesta campanha salarial ainda batalhamos com foco no aumento do menor piso salarial, visando elevá-lo ao nível do piso estadual. Conseguimos na maioria dos estabelecimentos, à exceção de alguns da região de Araraquara, Tupã e Dracena, que não acataram nossa reivindicação, levando a decisão para a Justiça do Trabalho.
Essa situação é mais um alerta aos profissionais da saúde que precisam se conscientizar da necessidade de união e mobilização por melhores salários e condições de trabalho.
Sozinha a diretoria conseguiu avanços importantes e até mesmo aumentos reais de salários em muitos hospitais, clínicas e laboratórios.
Em sendo assim, os profissionais da saúde não devem se calar e achar que a situação está confortável, porque ainda tem muita luta pela frente e a mobilização da categoria tem de ser constante. Não se pode ter medo, pois o medo imobiliza as pessoas e impede o profissional de agir e esta postura abre espaço para que benefícios históricos se percam em virtude da inércia ou pela pressão do setor empresarial.
Os diretores do Sinsaúde têm feito seu papel e é com esforço que eles mantêm os direitos conquistados e acrescentam melhorias na vida dos profissionais da saúde. As investidas contra os direitos são cada vez mais acintosas e colocam em risco o processo evolutivo da categoria. Portanto, cada profissional da saúde deve repensar a sua postura na época de campanha salarial, bem como refletir no peso que terá em sua vida a perda das vantagens acumuladas ao longo dos anos. Depois disso, penso que posso apostar em campanhas mais participativas e com resultados ainda melhores.