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Sindicato da Saúde de Campinas e Região, 11/20/2008

Albert Sabin em processo de recuperação reabre 16 leitos

Após praticamente 160 dias fechado para o atendimento, o hospital Albert Sabin começou a dar sinais de recuperação. O Pronto Socorro foi totalmente reformado dentro das normas da Vigilância Sanitária e reativado, além de ter o centro clínico organizado para os sócios do Grupo Sabin. O prédio passou por reformas, visando melhorias, principalmente na UTI, no pronto-socorro, centro cirúrgico e setor de cardiologia.

Resultado disso é que no dia 23 de setembro em parceria com o Instituto de Medicina e Cirurgia de Campinas, foi reaberta a ala de internação e o centro cirúrgico, depois de uma vistoria da Vigilância Sanitária (Visa). O hospital funcionará com 16 leitos, sendo oito para internação e outros oito que já estavam funcionando no Day Hospital. A previsão é de que mais 12 leitos de internação e dez da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) sejam liberados ainda no dia 24. O valor gasto com a reforma foi de R$ 600 mil. “O hospital só não abriu antes porque a Vigilância Sanitária impediu, negando a liberação para funcionamento, por meio de quatro fiscalizações. As exigências eram tantas que concluímos que nenhum estabelecimento de saúde em Campinas esta habilitado a funcionar”, observa o presidente do Sinsaúde, Edison Laércio de Oliveira.

Segundo ele o empenho para que o hospital voltasse a funcionar foi grande e mobilizou muitas pessoas e autoridades como, por exemplo, o vereador Dário Saadi e o Secretário de Saúde, José Francisco Kerr Saraiva Kerr. “A exceção da Visa, todos sabem que existem mais de 600 famílias esperando que este hospital volte para poder lhes pagar salários e demais direitos”, destaca Edison.

Ele lembra que no dia 25 de março de 2008 o Hospital Albert Sabin enfrentou sua pior crise financeira, que já se arrastava há meses. Tal crise ficou explícita quando os funcionários, que brigavam por melhores condições de trabalho, resolveram fazer greve. O resultado foi o o fechamento da Maternidade, suspensão das internações e demissão de 80% dos 400 trabalhadores. Anteriormente, o hospital já havia demitido outros 300. Em 17 de abril a Vigilância Sanitária interditou o Pronto-Socorro por irregularidades e o médico Carlos Alberto Politano foi nomeado administrador judicial pelo juiz da 6ª Vara do Trabalho de Campinas, Flávio Gaspar.

Embora os trabalhadores que continuaram no hospital estão recebendo seus salários em dia, o maior desafio ainda é pagar os profissionais demitidos. Carlos Alberto Politano tem a missão de reestruturar a situação financeira do grupo, de modo a gerar recursos para o pagamento das dívidas trabalhistas. Edison Laércio de Oliveira, presidente do Sindicato da Saúde de Campinas e Região, lembra que somando ações individuais e coletivas aos valores devidos ao INSS e outros impostos, a dívida chega a mais R$ 47 milhões.

Pouco tempo depois da intervenção, alguns órgãos governamentais começaram a inspecionar o estabelecimento. A primeira foi a Agência Nacional de Saúde (ANS) que interveio na Micromed, empresa do grupo, responsável pelos planos de saúde. Assumindo a direção fiscal e técnica da Micromed, a agência analisou a situação financeira e técnica da operadora. A segunda ação foi a interdição do pronto-socorro pela Vigilância Sanitária. “São ações extemporâneas, tomadas quando o administrador assumia sua função e nem havia tido tempo para avaliar a situação geral do hospital ou tomar as decisões necessárias para a sua recuperação”, diz Edison.

O presidente do Sinsaúde Campinas e Região, Edison Laércio de Oliveira, destaca que Politano foi habilidoso na condução de mais esta dificuldade na dura batalha de criar condições para a reestruturação financeira do Grupo Sabin. Essa é mais uma prova de que o hospital está se recuperando. Muito ainda precisa ser feito, mas agora com a competência profissional dos trabalhadores, a recuperação do plano de saúde e a garantia do atendimento aos conveniados está prestes a acontecer. Com o hospital voltando a funcionar, mais um passo foi dado para a restauração da ordem e do compromisso com os trabalhadores da saúde e com toda a população. Segundo o administrador judicial, a previsão é de que em seis meses haverá 100 leitos disponíveis.

 


 

Sindicato da Saúde de Campinas e Região
Setembro/2008